O exercício Steadfast Dart 26 teve no mar Báltico um dos seus momentos operacionais mais relevantes, com as Marinhas da Espanha e da Turquia à frente das ações de desembarque anfíbio realizadas no litoral da Alemanha. Inserida na Força de Reação Aliada (ARF, na sigla em inglês), a atividade reuniu meios navais, aéreos e de operações especiais sob uma cadeia de comando única da OTAN.
Comando e meios empregados no mar Báltico
A demonstração ocorreu na área militar de instrução de Putlos e foi coordenada pelo Comando do Componente Marítimo (MCC, na sigla em inglês) da ARF, função assumida pelo Quartel-General Marítimo Espanhol (SPMARFOR) a bordo do navio de assalto anfíbio Castilla (L-52). No total, participaram 15 navios de seis nações, além de efetivos do Comando do Componente de Operações Especiais (SOCC, na sigla em inglês), igualmente liderado pela Espanha, numa operação desenhada para comprovar capacidade de projeção rápida e atuação sincronizada num cenário multidomínio.
Steadfast Dart 26: sequência do desembarque anfíbio com Bayraktar TB-3 e ZAHA
A etapa anfíbia teve início com o lançamento de um veículo aéreo não tripulado Bayraktar TB-3 a partir do TCG Anadolu, navio-capitânia da Marinha da Turquia e “irmão” do LHD Juan Carlos I da Armada Espanhola. O sistema forneceu, em tempo real, inteligência, vigilância e reconhecimento sobre a área-alvo, enquanto aeronaves Eurofighter 2000 da Alemanha neutralizavam alvos simulados identificados ao longo da ação.
Na sequência, militares espanhóis do SOCC efetuaram uma infiltração subaquática para eliminar ameaças explosivas simuladas na linha costeira, abrindo condições para o desembarque principal. Depois de o Castilla (L-52) e a fragata Cristóbal Colón, da Armada Espanhola, terem se incorporado à força turca no começo de fevereiro, equipes das duas marinhas realizaram inserções por fast-rope a partir de helicópteros para garantir pontos-chave, com apoio aéreo aproximado provido por helicópteros de ataque turcos.
A força principal de assalto foi formada por fuzileiros navais turcos, que se aproximaram da praia em embarcações de alta velocidade, seguidos por veículos anfíbios de assalto ZAHA, responsáveis por oferecer mobilidade protegida durante o avanço. Em paralelo, lanchas de desembarque conduziram uma manobra complementar para consolidar a cabeça de praia e expandir o dispositivo operacional.
Interdição marítima e dimensão estratégica da ARF
Encerrada a fase anfíbia, o SOCC executou, a bordo do Castilla, uma Operação de Interdição Marítima, tendo como navio-alvo a fragata alemã FGS Brandenburg. O destacamento de abordagem foi inserido por helicóptero, assegurou áreas críticas e conduziu procedimentos de inspeção - incluindo verificação de carga e recolha de evidências -, simulando um embarque não cooperativo.
A finalidade foi evidenciar a aptidão para interceptar e controlar embarcações que atuem fora da legalidade, em conformidade com o direito internacional e com os compromissos assumidos no âmbito da OTAN.
O Steadfast Dart 26 é a principal atividade de adestramento operacional da Força de Reação Aliada em 2026 e prevê a participação de aproximadamente 10.000 militares de 11 países. A Espanha deslocou o navio de assalto anfíbio Castilla e a fragata Cristóbal Colón a partir da base naval de Rota, integrando-se à Força Anfíbia da Turquia, cujo navio de comando é o TCG Anadolu. Além de conduzir a componente marítima por meio do SPMARFOR e do Grupo Naval Permanente nº 1 da OTAN (SNMG1, na sigla em inglês) - sob comando do contra-almirante espanhol Joaquín Ruiz Escagedo -, a Espanha lidera, pelo segundo ano consecutivo, o SOCC, reforçando seu papel na direção de operações combinadas da Aliança no Báltico e no norte da Europa.
Imagem de capa obtida do Estado-Maior da Defesa da Espanha.
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