Pular para o conteúdo

Teste do Nothing Phone (4a) Pro: um intermediário premium por menos de 500 €

Pessoa segurando celular com vídeo chamada aberta ao lado de caixa e fones sobre mesa de madeira.

O “pequeno polegar” da tecnologia acaba de lançar o Phone (4a) Pro, um smartphone parrudo, vendido por menos de 500 €. Para alcançar um público maior, a Nothing decidiu abrir mão do visual transparente que, até então, era a sua marca registada. A aposta deu certo? Para responder, usei o Nothing Phone (4a) Pro durante um mês.

Vale recordar como a Nothing chegou ao mercado. Criada por Carl Pei (ex-chefe da OnePlus), a startup londrina entrou com a proposta ambiciosa de sacudir um setor de telemóveis que tinha ficado “sem graça” (pelo menos, era assim que a empresa se apresentava).

Num cenário em que quase todos os aparelhos pareciam iguais, a Nothing apostou num design transparente arrojado e no famoso “Glyph”, faixas de luz embutidas na traseira. Ainda assim, a marca nunca conseguiu, de facto, se estabelecer frente aos gigantes Samsung, Apple ou Xiaomi.

Depois, a empresa puxou o gatilho com o “Phone (a)”, uma linha com relação custo-benefício extremamente forte. As vendas melhoraram bastante, mas continuaram aquém do que os grandes conseguem. Em 2026, a Nothing vai além com um Phone (4a) Pro mais potente do que o (4a) e ainda assim muito acessível. Só que, sobretudo para falar com o grande público, a Nothing também redesenhou o aparelho: mais discreto, ele carrega a identidade da marca em detalhes. É uma jogada arriscada, porque pode contrariar os fãs da primeira hora.

Quem me acompanha sabe: eu gosto de marcas que tentam quebrar padrões numa indústria de smartphones que anda a passo lento. Por isso, acompanho a Nothing desde o começo. Essa mudança de rota, naturalmente, chamou a minha atenção; então pedi ao Pierre, editor de tecnologia no Presse-citron, para me deixar testar o Phone (4a) Pro. Como ele topou, aqui vai a minha opinião depois de um mês de uso. Spoiler: foi um apaixonar à primeira vista!

Nothing Phone (4a) Pro 12+256 GB - melhor preço

  • Preço base: 519 €
  • Rakuten: 549 € - Ver oferta

Nothing Phone (4a) Pro 8+128 GB - melhor preço

  • Preço base: 449 €
  • Rakuten: 479 € - Ver oferta
  • Amazon: 499 € - Ver oferta
  • Boulanger: 499 € - Ver oferta

  • Ver mais ofertas

Nothing muda de estilo

Ao tirar o Nothing Phone (4a) Pro da caixa, a primeira coisa que salta aos olhos é o design. Eu sempre elogiei a ousadia estética da marca e, com o tempo, até me acostumei com a traseira transparente das gerações anteriores.

No Phone (4a) Pro, a Nothing resolve arriscar e deixa esse visual tão característico para trás. O Phone (4a) Pro vem com um belíssimo chassi unibody em alumínio escovado, um contraste direto com o plástico dos modelos anteriores. O toque é claramente premium e o acabamento é impecável. As laterais planas dão uma pegada firme e segura. Até o clique dos botões físicos reforça essa busca por qualidade. A sensação é, de verdade, a de estar com um aparelho premium nas mãos.

Mesmo com uma abordagem mais “tradicional”, a Nothing não abandonou totalmente o lado fora do comum. As grandes faixas de LED saem de cena, mas entram em seu lugar uma nova versão do Glyph Matrix, muito mais contida. Ao lado do conjunto de câmaras, no canto superior esquerdo, a Nothing colocou um pequeno ecrã circular feito de micro-LED. Esse ar retro em “pixel-art”, na minha opinião, tem tudo para agradar o grande público e, ao mesmo tempo, tranquilizar os fãs antigos.

No dia a dia, esse segundo ecrã entrega algumas funções que lembram o Phone 3. Ele mostra animações personalizadas nas chamadas recebidas, exibe a contagem regressiva do temporizador quando você está a cozinhar e pode até apresentar um ícone discreto para avisar que o seu motorista da Uber chegou. Assim, o Glyph Matrix acaba por ser divertido e útil, permitindo manter-se menos preso ao ecrã grande sem perder o essencial.

Um ecrã sublime

Enquanto muitos fabricantes costumam economizar neste ponto, a Nothing caprichou no ecrã. Com tecnologia AMOLED, o painel de 6,83" do Phone (4a) Pro é impressionante. As bordas são extremamente finas e o furo da câmara frontal é minúsculo - o oposto do iPhone 17e, vendido por 200 € a mais.

Na prática, é um ecrã delicioso de usar. Além de oferecer taxa de atualização adaptativa que chega a 144 Hz (algo normalmente reservado aos smartphones gamer mais caros), ele também se destaca pelo brilho.

Para quem consome muitas séries na Netflix ou vídeos no YouTube no trajeto, a boa notícia é clara: o ecrã pode atingir até 5000 nits de pico de luminosidade.

O contraste é forte, os pretos são profundos (mérito do OLED) e as cores são vivas sem escorregar para uma saturação exagerada. Os ângulos de visão também não deixam a desejar. Em resumo, a experiência é de um smartphone premium. Irretocável.

Uma interface original

Ter um telemóvel bonito com um ecrã excelente ajuda, mas o software precisa acompanhar. O Phone (4a) Pro roda o Nothing OS (baseado na versão mais recente do Android). No Presse-citron, como você já sabe, a gente é fã dessa interface desde o início - e, pessoalmente, eu também gosto bastante.

Gosto ainda mais porque, em 2026, o Nothing OS chegou a um nível de maturidade notável. Enquanto outras marcas enchem os modelos mais acessíveis com aplicações pré-instaladas inúteis, publicidade escondida ou interfaces coloridas demais, o Nothing OS vai pelo caminho da sobriedade. Ele é limpo, fluido e rápido.

A identidade visual “dot-matrix” da marca - com fontes pontilhadas e ícones monocromáticos (que até transformam o logo de apps como Instagram ou WhatsApp em preto e branco) - dá personalidade ao ecrã inicial. É o tipo de estética que divide opiniões. Eu estou do lado de quem aprova.

Mais do que o visual em si, o que mais me conquistou foi a consistência do conjunto e o convite à desconexão. Quando o ecrã inicial fica em preto e branco, você tende a ser menos puxado pelas cores chamativas das redes sociais. Dos widgets interativos (destaque para o widget do tempo e o player de música) aos atalhos rápidos, tudo foi desenhado para ser muito funcional e mais confortável para os olhos.

A combinação desse software leve com um ecrã extremamente fluido faz com que cada toque pareça melhor. É uma experiência premium do início ao fim.

Performante e com ótima autonomia

Por trás desse visual bem resolvido, a Nothing optou por uma ficha técnica equilibrada - e isso faz sentido se a ideia era manter o preço sob controle. Não há um chip topo de linha caríssimo aqui; em vez disso, a marca escolheu o confiável Snapdragon 7 Gen 4 da Qualcomm. Ele não vai liderar rankings de benchmark, mas já mostrou a que veio. Ao adotar esse hardware, a Nothing aposta no equilíbrio - e acerta.

No uso real, o desempenho é muito bom. Multitarefas pesado com uma dezena de aplicações abertas, edição rápida de vídeo para reels no Instagram ou jogos 3D mais exigentes: o Nothing Phone (4a) Pro não engasga. Mesmo depois de longas sessões a jogar, não percebi quedas incômodas de framerate, e o aparelho também não aquece em excesso.

O grande destaque, porém, é a eficiência energética do Snapdragon 7 Gen 4. Junto de uma bateria generosa de 5080 mAh, o Phone (4a) Pro mostrou que é um verdadeiro maratonista. Mesmo com o meu uso muito intenso (centenas de e-mails, chamadas, navegação GPS, redes sociais, fotos e vídeos), terminei todos os dias com mais de 35% de bateria à meia-noite. Num ritmo mais moderado, dá para chegar tranquilamente a dois dias de autonomia.

A Nothing ainda inclui carregamento rápido com fio de 50W. Na média, levei menos de 45 minutos para ir a 100% e cerca de 20 minutos para bater 50%. A crítica aqui é simples: não vem carregador na caixa.

Melhorias na fotografia

Fotografia costuma ser o ponto em que muitos intermediários tropeçam. Para não cair nessa, a Nothing colocou no Phone (4a) Pro um conjunto bem ambicioso. Além do sensor principal de 50 MP, há um segundo sensor de 50 MP com teleobjetiva periscópica (zoom óptico 3,5x) - algo praticamente inexistente em smartphones abaixo dos 500 €.

Hardware é só parte da história; e no uso? Começando pela câmara principal: ela convence. Não chega ao nível de um Pixel 10a, mas o Phone (4a) Pro surpreende em boas condições de luz. Com pouca luz, ele também se sai bem - o que não é tão comum nesta faixa de preço. Em retratos, o recorte é preciso e o bokeh parece bastante natural. Ou seja: a câmara principal cumpre o que promete.

Já a teleobjetiva é espetacular. Sinceramente, eu nunca tinha visto algo assim num smartphone abaixo de 500 €. Graças a ela, o Phone (4a) Pro faz fotos com zoom 3,5x sem perda. Até 7x, os resultados são simplesmente impressionantes. Isso torna o aparelho atraente para quem vai a concertos, gosta de fotografar arquitetura ou até para aspirantes a paparazzi. Como sempre, a qualidade cai conforme a luz diminui, mas o desempenho continua claramente melhor do que o dos rivais - com exceção do Pixel 10a, que segue imbatível.

O Phone (4a) Pro também traz uma lente ultra grande-angular com sensor de 8 MP. Não faz milagres, mas ainda abre espaço para experimentar e criar.

Por fim, o Phone (4a) Pro inclui uma coleção de filtros criativos que deixa a fotografia mais divertida. Há cerca de dez filtros já instalados, e ainda dá para baixar packs gratuitos criados pela comunidade de fotógrafos que usam smartphones Nothing. Bem divertido.

Se eu tivesse de apontar um único senão na parte de fotos, seria a inconsistência do algoritmo de processamento “Ultra XDR” da Nothing. Em alguns cenários, a inteligência artificial exagera, clareando as sombras de forma agressiva - e isso pode deixar certas imagens com um aspeto um pouco artificial. Sim, é preciosismo. E é ainda menos grave porque uma atualização deve bastar para corrigir.

O verdadeiro trunfo: o preço!

Chegamos ao ponto central. Num mercado de tecnologia cada vez mais caro, a Nothing dá um golpe forte. O Nothing Phone (4a) Pro custa entre 449 e 519 € (dependendo da configuração de armazenamento e RAM).

Olhando para os concorrentes, é difícil achar negócio melhor. O Pixel 10a muda muito pouco em relação ao 9a, o que o elimina de cara. O mesmo vale para o Galaxy A57, recém-anunciado. E o iPhone 17e, então, parece ter um preço desconectado da realidade. Chega a ser surpreendente que a Nothing tenha conseguido colocar um smartphone tão completo nesta faixa.

Nothing Phone (4a) Pro 12+256 GB - melhor preço

  • Preço base: 519 €
  • Rakuten: 549 € - Ver oferta

Nothing Phone (4a) Pro 8+128 GB - melhor preço

  • Preço base: 449 €
  • Rakuten: 479 € - Ver oferta
  • Amazon: 499 € - Ver oferta
  • Boulanger: 499 € - Ver oferta

  • Ver mais ofertas

A minha opinião sobre o Nothing Phone 4a Pro

Como ficou claro, o Phone (4a) Pro me ganhou. Carl Pei e a equipa parecem ter acertado na fórmula. Design premium com personalidade, ecrã AMOLED de cair o queixo, autonomia sólida, desempenho excelente e um conjunto de câmaras impressionante: a evolução da Nothing é, sinceramente, surpreendente.

Eu poderia reclamar da falta de carregamento sem fio ou procurar defeitos em detalhes mínimos, mas seria implicância. Se você está com o orçamento apertado, guarde isto: o Phone (4a) Pro é, de longe, o smartphone abaixo de 500 € mais completo. E ainda tem aquele algo a mais que faz diferença. Um verdadeiro apaixonar à primeira vista.

Nothing Phone (4a) Pro

A partir de 449 €

Nota geral: 9

Critério Nota
Design e ecrã 9.5/10
Desempenho e interface 9.0/10
Autonomia e carregamento 9.0/10
Câmara 8.0/10
Relação custo-benefício 9.5/10

Gostamos

  • Design e acabamento premium e ousado
  • Ecrã sublime
  • Desempenho, autonomia e carregamento
  • Bom em fotografia
  • Preço imbatível!

Gostamos menos

  • Ultra grande-angular um pouco limitada
  • Sem carregamento sem fio
  • Apenas 3 anos de atualizações

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário