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Lobo selvagem na Colúmbia Britânica surpreende com possível uso de ferramenta ao puxar armadilha de caranguejo

Lobo na praia segurando um pedaço de madeira entre conchas marinhas sobre uma rocha molhada.

Quando um lobo selvagem encontra uma refeição em potencial, o impulso costuma ser atacar de imediato - mas pesquisadores no oeste do Canadá registraram pelo menos um animal a agir de um jeito bem diferente.

Armadilhas contra caranguejos-verdes europeus e o início do mistério

A constatação, descrita no periódico Ecologia e Evolução, surgiu em parte por acaso. Há vários anos, armadilhas de caranguejo vêm sendo colocadas em águas profundas numa área remota da província da Colúmbia Britânica, dentro de um programa para eliminar os caranguejos-verdes europeus, uma espécie invasora.

Trabalhando em colaboração com a Primeira Nação Heiltsuk, os pesquisadores passaram a notar algo estranho: repetidas vezes, as armadilhas apareciam arrastadas para a praia e a isca desaparecia.

Como os equipamentos ficavam em águas profundas e não chegavam a ficar expostos nem mesmo na maré baixa, a hipótese inicial foi a de que algum predador marinho estivesse por trás disso.

O que a câmera mostrou na Colúmbia Britânica

Para esclarecer o que estava acontecendo, câmeras foram instaladas em maio de 2024 - e a resposta veio rapidamente.

As imagens captaram uma loba nadando até a área e puxando para a costa a boia presa a uma das armadilhas. Em seguida, ela foi recolhendo a corda conectada ao equipamento. Quando a armadilha já estava em terra, a loba roeu a malha para chegar até a isca.

Segundo os pesquisadores, tratou-se de uma “sequência cuidadosamente coreografada” - e não do comportamento de um predador selvagem simplesmente perseguindo comida de forma agressiva.

Indícios de uso de ferramenta por lobo selvagem

Para os autores, o conjunto de ações observado indica um nível de sofisticação que pode representar “o primeiro possível uso de ferramenta conhecido em lobos selvagens”.

“Eu não acreditei no que estava vendo quando abrimos aquela câmera”, afirmou Kyle Artelle, biólogo ambiental da Universidade Estadual de Nova York.

Artelle disse que foi um comportamento “incrível”. “Essa loba apareceu e ela simplesmente viu uma boia e sabia que a boia estava ligada a uma armadilha. Ela sabia como puxar a armadilha para cima. Ela sabia que, se trouxesse a armadilha para a praia, conseguiria comida… Um comportamento muito inteligente, realmente incrível, sofisticado.”

Os pesquisadores - entre eles o professor de geografia Paul Paquet, da Universidade de Victoria - reconheceram que ainda não sabem o quão disseminado é esse grau de sofisticação entre lobos selvagens.

Eles observaram que a loba pode ter aprendido a levar a armadilha até a areia por tentativa e erro. Também destacaram que, por se tratar de uma área remota, esses lobos estariam menos expostos a perigos - inclusive relacionados a humanos - e, por isso, poderiam ter mais tempo para experimentar.

© Agence France-Presse

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